Enquanto a inspiração não vem... enquanto a tormenta da contagem regressiva onde trabalho e estudo inquietam os meus pensamentos e afligem os meus dias... enquanto algumas angústias que não têm alívio imediato teimam em sobreviver, por mais que eu esteja numa fase de deletar da minha vida tudo aquilo que tira a minha paz!..... Sigo com textos que me emocionam, e esse traduz tudo aquilo que eu realmente acredito ser essencial em um relacionamento, seja de amizade ou de amor.
Afinidade
Artur da Távola
Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois. A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente também. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi. Ter afinidade é muito raro. Mas, quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram
de estar juntas. Afinidade é ficar longe pensando parecido
a respeito dos mesmos fatos que
impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro
com aceitação anterior ao entendimento. Afinidade é sentir com, Não é sentir contra, Nem sentir para, Nem sentir por, Nem sentir pelo. Sentindo, é olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas afirmar. Afinidade é ter perdas semelhantes
e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades. Afinidade é retomar a relação
no ponto em que parou
sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades
dadas (tiradas) pela vida.
Escrito por Sil às 18h36
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